segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Che vuoi?


"Algum tempo sossegado por aquelas reflexões, aprumei-me, impetiquei-me,firmei o pé, e proferi o esconjuro com voz alta, clara e rija, engrossando-a cavamente quando com três brados, a intervalos curtos, chamei Belzebuth. 
Corria-me às veias um calafrio, ao passo que os cabelos se me eriçavam.
Mal acabei a evocação, abre-se de par em par uma janela em frente de mim, no alto da abóbada. Um golfo de lumeeira mais esplendente que do sol jorra por aquela abertura; uma cabeça de camelo, horrenda no tamanho e no feitio, surge na janela; as orelhas principalmente eram descompassadas! O fantasma hediondo escancara as fauces, e com um ronco próprio de tal monstro, responde-me!
- Che vuoi?

https://larvalsubjects.files.wordpress.com/2011/01/chevuoi.jpgAs abóbadas e subterrâneos em volta ecoaram a porfia o horribilíssimo che vuoi.
Não sei descrever o meu estado; nem sei como a minha coragem se teve, que eu não caísse fulminado pelo espetáculo e ainda mais pelo estridor que me ribombava nos ouvidos."

("Os Amores do Diabo", Jacques Cazotte)

 

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